Fiz a faxina completa, agora o apartamento tá brilhando, com cheirinho de limpeza. Desfiz minha mala, organizei tudo. Seu chinelo estava nela, resolvi pegar pra usar. Comi uma pêra e bebi um Yakult (você gosta, também). Aí tomei meu banho, passei hidratante, escovei meus dentes. Tomei meus remédios, apaguei a luz e deitei, com a TV ligada. Tá passando o programa do Jô, eu até gosto, e não tô com muito sono, seria legal assistir. Seria o mais intuitivo a se fazer, caso eu não tivesse com a cabeça tão ocupada pensando em você.

É que a última vez em que eu estive aqui – 5 dias atrás – eu não estava sozinha. E também não era uma companhia que só ocupava meu tempo e meu espaço. Era você. E é tão reconfortante quando você está comigo. Quando posso conversar com você olhando nos seus olhos, quando posso te tocar – seja pra dar um tapa de brincadeira, seja para dar um beijo -, quando nossas energias se confundem na atmosfera e deixam o ambiente todo peculiar.

E assim fico pensando, em quanto eu queria ter o prazer da sua companhia diariamente, não precisar ficar fazendo contagem regressiva todo mês… Ah, como eu desejo poder acordar e mandar um bom dia esperando pelo nosso almoço em um lugar diferente, ou só um passeio rápido pelo parque, durante o pôr do sol; mandar o rotineiro “boa noite, até amanhã” sabendo que isso significa te ver nesse amanhã.

Eu digo que me adapto a essa nossa vida, mas não significa que é simples. Tem sido tão difícil segurar o coração com as mãos e engolir seco, de saudade. Tem sido muito difícil longe de você. E eu não vejo a hora de arrumar o apartamento pra esperar sua visita. De chegar na sua casa e reclamar do seu quarto bagunçado, ou da louça na pia, jurando que você logo vai entrar na linha. Eu não vejo a hora de deixar tudo arrumado e traçar um paralelo dessa organização da casa com a organização da nossa vida.

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