“O meu sonho é que esse terreno seja meu.” É, eles só querem a regularização do espaço em que vivem. Melhor dizendo: sobrevivem. Foi o que saiu da boca de Jonatas, Elisângela, Leandro, Gesilene, Elissandra, Alexandre, Dona Elizabete, Flávio, Fábio, Daniela, Janaina, Dona Mara, Gilson e algumas outras centenas dos moradores de comunidades. De seres humanos.

Eles se tornam invisíveis aos olhos da sociedade. Com mais precisão, a invisibilidade por si só seria até um privilégio para essas pessoas. Muito pior que isso: eles são vistos, mas interpretados e tratados da maneira mais desumana e estúpida possível. Diariamente, sofrem destratou, preconceito, rejeições, xingamentos, desvio de olhares, e opressão. Simplesmente por serem quem são.

O Brasil possui, atualmente, em torno de 20 milhões de brasileiros “vivendo” em situação de extrema pobreza. Isso é, com uma renda mensal inferior a 85 reais mensais por pessoa da família. É inimaginável quantos ficam sem comer por falta de dinheiro. E os vários que têm o pedido de emprego rejeitado porque moram em comunidades. Fora os olhares de nojo dirigidos a eles com frequência, como se esse maltrato fosse algo normal.

“Vai entrar naquela favela, moça? Você não tem amor à vida? Lá só têm maluco que já levou tiro de polícia.”. É, eles realmente pensam que são superiores somente por serem privilegiados. A arrogância lhes sobe à cabeça. O descaso os compõe. Mal percebem que são parcela da culpa. E mais: podem ser parte da solução. Mas é fácil fechar os olhos, virar as costas e fingir que não existe. Saber que estão bem ali do lado e tratar como se fossem bichos.

Cerca de 10% dos brasileiros detêm 75% da renda desse país.

Os ricos ficam mais ricos. Enquanto os pobres ficam mais pobres.

E ninguém os enxerga. Todos veem. Mas enxergar… Pra quê?

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