Ao sentir a necessidade de explicar uma inversão de sentido da utopia, o pensador John Stuart Mill criou o termo distopia, o qual se baseia no profundo pessimismo em relação à realidade mundana. Essa definição reflete valores desesperançosos, relativamente exagerados, comuns na sociedade ao longo do tempo. Acontece que considerar a situação irreparável não condiz com o espírito de batalha por uma vida digna, tão marcante no contexto contemporâneo.

  É certo que, inúmeras vezes, diversos manifestantes perdem a expectativa – parcial ou completamente – graças ao cansaço da espera pelo resultado ou provocada por fortes repressões sofridas, caso de governos ditatoriais como Getúlio Vargas, Fidel Castro e Stálin. No entanto, sempre permanecem grupos persistente que não cessam suas lutas, por acreditar na melhoria futura e, com isso, tornam-se capazes de mobilizar populações, ganhar força e provar que o avanço continua sendo uma possibilidade.

  A exemplo disso, vale ressaltar o tom esperançoso construído na obra Sentimento do Mundo, de Carlos Drummond de Andrade, o qual se encontrava diante de um trágico cenário sociopolítico mundial, mas ainda assim dizia acreditar na superação de tais entraves, desde que a sociedade estivesse unida para isso e crente no resultado positivo. Dessa maneira, mesmo em meio a guerras, desigualdades, opressões e injustiças – muitas das quais perduram até os dias atuais -, a distopia não toma a frente da realidade.

  Assim, embora algumas ideologias se desviem de realizações palpáveis, como o socialismo utópico, no século XIX, o “mundo melhor” segue sendo possível. Ainda que notícias diárias de conflitos internacionais, tal qual a Síria vive há 6 anos, de problemas de morte por desnutrição e de lutas armadas pela intolerância religiosa façam com que se desacredite na pacificação e estabilidade internacional, persistem os movimentos a favor da paz e a esperança nesse futuro próspero.

  Em âmbitos históricos mais trágicos o otimismo não se perdeu e, assim, na contemporaneidade, estabelece sustentação sobre raízes já travadas por grandes autores, grupos e batalhas ao longo do séculos. Com isso, mesmo que exista a distopia, percebe-se a superioridade da crença em uma conquista da melhora da vida e de todo o cenário mundial.

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