Ando pela cidade e pouco vejo. Olho para o chão e vez ou outra para o céu. Pelos muros da selva de pedras estão as cores, os amores.

   Me pego entre tons, traços, rabiscos e contornos. São desenhos, palavras, rostos ou frases. Separados, todos juntos. Composições e expressões. Camadas sobrepostas.

   Uma luta por espaço, câmeras monitoram o espaço, poluição sonora, placas de proibido. Ou permitido. Cães sem dono, donos sem cão. Homens sem lar, ruas sem almas. Filhos sem pais, pais sem filhos. Obras sem artistas, artistas sem obras, sem reconhecimento, sem apoio, sem serem vistos. Quem serão?

   Azul da água, cinza da melancolia. Angústia por estar à margem. Símbolos de identidade própria. Não têm na vida, na arte sim. Acordos internos de respeito. Ali funciona, ali são cumpridos.

   Estão pelas ruas, vielas e avenidas. Estão nos cantos todos. Estão aqui. Estão aí. E você vê? Eles chamam por você. Só não vê quem não quer.

   Ando pela cidade e muito vejo. Olho para a esquerda e vez ou outra para a direita – um tanto receosa. Pelos caminhos da selva de cores estão as pedras, as esperas.

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