Valiosas são as heranças deixadas por escolas literárias, como o romantismo indianista brasileiro: pregou-se, por meio de renomados autores, o enaltecimento da pátria e o reconhecimento desse país como belo e próximo da perfeição. Acontece que o discurso nacionalista, ao longo da história internacional, ganhou força no sentido equivocado, individualista e violento. Foi usado como fundamento para disseminar prepotentes ideias e incentivar atitudes desumanas, muito conhecido entre grupos nazistas, fascistas e seus infelizes “seguidores”.

   Tais ideologias freqüentemente são criadas ao se enxergar em alguém diferente uma culpa responsável pelo insucesso daqueles que as manipulam. Como diria Cornelius Castoriadis, filósofo e psicanalista, culpar o indivíduo por esse motivo é uma característica até mesmo de qualquer bairrismo. Sua sábia e relevante colocação demonstra muito sobre os lamentáveis movimentos, discursos e ações preconceituosas que se fazem presentes por todo o planeta no decorrer do desenvolvimento civilizacional. É o caso, em se falando de passado, da colonização europeia na América – a qual covardemente dizimou culturas e tribos indígenas – e, posteriormente, da difusão da ideia de “raça pura” na Alemanha de Hitler, no século XX.

   No entanto, a realidade abordada, apesar de ser evidentemente ultrapassada no âmbito de evolução dos estudos psico-sociais, torna-se contínua e mais contemporânea a cada dia que chega. A exemplo disso, é fácil notar o teor xenófobo e nacionalista ao extremo nas falas do atual presidente norte-americano Donald Trump, defensor da construção de barreiras a fim de dificultar a entrada de imigrantes em “seu país”. Não muito distante, Marine Le Pen, ex-candidata a ocupar o mesmo cargo na França, apresentava também propostas nessa linhagem e infelizmente conquistou, assim como Trump, considerável popularidade. Esse é o deprimente cenário do planeta atual, que entra em confronto com tantas evoluções conquistadas, construindo uma personalidade característica de sociedades atrasadas e de fraca capacidade altruísta.

   Mesmo também sendo vítima dessa crueldade, o Brasil não se salva dessa culpa: dados mostram que é o país mais homofóbico e transfóbicas do mundo, além de apresentar elevados índices de registros de crimes racistas e até mesmo xenófobos. O que se espera, todavia não é a caracterização do brasileiro com a famosa “síndrome do vira-lata”, muito comum em sua população. As ricas manifestações artísticas, como a literatura, são provas de que se orgulhar da própria nação é uma admirável qualidade do cidadão. Porém, há de se impor os devidos limites.

   Não é recente o contínuo registro de práticas individualistas, nacionalistas e preconceituosas no quadro internacional. Por essa razão, com o desenvolvimento de estudos humanos, é imprescindível que a sociedade amadureça e saiba lidar com as infinitas diferenças e peculiaridades existentes. Identificar o seu oposto como culpado é comum ao homem, entretanto, esse comportamento mostra se ultrapassado e egoísta, levando-o para longe da efetiva evolução.

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