Não sei até onde isso tudo vai me levar. É uma via de mão dupla na qual pego retornos constantemente. Tanto por um lado quanto pelo outro atinjo a velocidade máxima e sigo por trechos desconhecidos. Acelero, corro, passo o tempo e o espaço. Até que paro, dou meia volta e o sentido contrário logo é novamente meu rumo. Que vai dar sei lá em que destino.

   Eu tô bem. Tô sim. Da pra notar, eu sei. Mas o trânsito de sensações não me dá sossego em segundo algum. Seja ele ao me impressionar e provar o quão forte sou sozinha, seja para me frustrar por não ter dado certo continuar. E fico nesse pêndulo (in)constante sem saber o que de fato sinto.

   Sei que te quero comigo. E não é pouco. Você me faz uma falta tremenda, nem imagina. Mas essa saudade não é do passado recente, sem dúvidas. Te quero comigo me querendo também. Como costumava ser. Daquele jeito que só a gente sabia, só a gente sentia. Por que foi acabar? O sinal era verde e brilhava tão forte. Quase de repente mudou p’ramarelo e eu mal vi. Até que via, é verdade, mas não queria aceitar. A vontade sincera era de continuar caminhando, deslizando pela estrada que nos levaria a qualquer lugar. E eu não sabia até onde isso iria me levar. Mas antes não importava muito. Agora angustia.

   Não me sinto incompleta. Sem essa de que “falta uma parte de mim”. Até porque nunca fui de ninguém. Só gosto de me dividir. E me compartilho com dezenas de outros corações. Percorro infinitas outras estradas, ainda bem. E eu gostava de me dividir com você. Principalmente de ter você em mim. Só que ultimamente só o caminho de ida era real. O de volta vinha pela metade – se tudo isso. Então na verdade eu estive incompleta. Volto, agora, a me sentir inteira. Mas acho que você não aceita. Insiste em roubar essa parte que não pode mais pertencer a nós dois. E por isso me puxa pros retornos que não deveriam mais existir.

   Lamento dizer, mas eu sou minha. Toda minha. Me desencaixo às vezes, é verdade. Troco as entradas e erro o sentido. Deixo uns pedaços caírem, vez ou outra. Mas eu volto para buscar. Eu juro. Porque preciso me completar. Me transbordar pelas estradas em que ando só. Talvez seja por isso que volto, retorno. Volto para buscar o que de mim ficou pra trás. Mas garanto que não me demoro. O sinal daquela direção vai logo piscar para mim. Aquele verde reluzente da qual sinto falta, com você. Agora vou sem. Eu – não sei pra onde – vou. Ah, se vou…

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