A noite não estava escura, você conseguia ver o céu, ele tinha tons de azul escuro com uma sobreposição de cinza que as nuvens tinham, mostrando sua presença, um cinza escuro, como quem quisesse mostrar insatisfação, será que essa nuvem quer chover? Será que essa nuvem quer chorar?

Passou um, passou outro, percebi que passam mais do que o que preciso, muito mais, até eu entender, que na verdade, eu não preciso, não mais, pode passar, não preciso mais correr, não preciso mais me amassar…

Mas aí eu paro, as pernas bambeiam, eu me apoio onde posso, e me surge a questão: Até quando não precisarei?

E a verdade existe, e sempre existirá e ela é? Que não tenho certeza, não posso tê-la, ninguém como eu pode, mas sempre será assim?

Eu voltei a ficar de pé com minhas próprias pernas, deixei que passassem, um após o outro, um mais rápido que o outro, não olhei para trás, tão pouco olhava pro lado, sabia que a resposta que precisava descobrir estava próxima, soube naquele momento que ela estava ali.

Não é incerteza, é a certeza da contradição.
Não é a tristeza, é a felicidade em não querer ser mais em vão.
Até conseguir, até conquistar, mesmo depois de tanto falhar.

Continuar até morrer, desistir não é -e nem nunca será- uma opção.

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