[GATILHO][ABUSO][ESTUPRO]

“Foi o meu colega de sala”
“Foi com a minha amiga”
“Dessa vez a vítima fui eu”
“E eu que nunca achei que isso fosse acontecer tão próximo”

Estamos cansadas!

Já não basta a rotina politécnica. Horas de estudo. Noites viradas. Ainda precisamos nos preocupar em festas e momentos de descontração. Nunca podemos nos divertir demais. Baixar a guarda? Não parece uma opção. Quando temos a falsa sensação de segurança, somos surpreendidas por mais um abuso. Não somos ouvidas, insistem em nos questionar, nosso não nunca é o suficiente. Isso deve acabar. É urgente. Desesperador. Precisamos ser escutadas. Agora. Aqui. Na universidade. Em qualquer momento. Em todo lugar.

Um “sim” ouvido uma vez não significa que será sempre dito; um “não” pronunciado é o suficiente para que tudo encerre. Não importa onde estamos, em que circunstância nos vemos, em que instante paramos. Não é não. Independente de quem somos, com quem estamos ou do que gostamos. É indiferente nossa idade, cor, classe ou orientação sexual. Completamente dispensável – se não inútil – uma figura masculina para apelar ou clamar pelo nosso pedido. É não. E-isso-basta.

É exaustivo sobreviver numa sociedade que não nos permite viver. Sobrevivemos. Um.Dia.Após.Outro. Com a aura de tensão, medo e traumas. Com sonhos, ambições e desejos. Desvalorizadas, enfraquecidas moralmente, objetificadas sexualmente. Em meio à ilusão de estarmos seguras dentro da própria universidade, temos nosso espaço invadido, nosso corpo violado, nosso psicológico ferido e um silêncio ensurdecedor em resposta.

Os maiores abusadores normalmente não estão nos becos escuros e não nos atacam enquanto estamos sozinhas caminhando. Nossos abusadores estão nas nossas salas de aula, estão nos nossos cursos, estão recebendo prêmios e sendo vangloriados pela universidade toda. São nossos namorados, nossos amigos próximos, nosso colega de anos que encontrou uma oportunidade. Os abusadores precisam parar de se sentir confortáveis. Clamamos desesperadamente pela certeza de que não teremos nenhum deles como nossos representantes na universidade. É hora de acabarem a impunidade e o silêncio institucional.. As politécnicas estão unidas. Não-vão-nos-calar.

Dói. Dói muito ler os dados estatísticos sobre a luta e a violência contra a mulher. Somos bilhões. E sofremos. Morremos. Mas nos unimos. Vamos juntas, acreditando, sonhando, ambicionando, desejando. Somos uma. E resistimos. Fortalecemos. E seguimos, assim, na rotina pesada, sobrevivendo. Na busca por viver.

Não importa quem seja, queremos atitudes, precisamos estar seguras, não queremos mais fúteis e hipócritas palavras bonitas.

O tempo de vocês acabou.

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