Há quem negue o charme da decadência ou a poesia que a tristeza carrega consigo, mas talvez seja impossível contradizer que há algo mais romântico para celebrar a solidão de um rapaz normal do que um trago de um bom Bourbon num dia frio e triste, e é essa a realidade, de um rapaz normal.

E como também não há nada no mundo isento as contradições, talvez também não exista nada mais clichê que essa cena que acabei de descrever, isso é claramente uma outra evidência da decadência de um ser ordinário, que cada vez mais bebe uma ilusão de ascensão como beberia uma Skol num dia de verão, se você não entendeu a metáfora é clara, as duas coisas são uma merda como também são quase sempre inevitáveis.

Eu venho batendo na tecla de que nem todas as emoções precisam ser vividas, e que você pode sim se isentar das coisas que simplesmente acha que não quer passar, mas com uma boa pitada de hipocrisia que a vida merece, faço questão de viver coisas que não gostaria de viver.

E assim a vida vem seguindo o seu curso que de natural não tem nada, um curso guiado, um curso dirigido, um curso perfeito, com tantas falhas, com tantos erros, com tantos tropeços que eu bateria palmas de lembrar de cada um, e isso é que faz do caminho perfeito, dialético, o acumulo desses erros, a superação deles.

Viverei e com certeza morrei errado, com uma porção de contradições das quais não consegui superar, mas com certeza morrerei bêbado de tanto me embriagar com as vitorias no caminho.

Aos erros um grande suspiro, a superação deles uma grande dose, aos acertos um verso ou dois.

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