Balões

– Pedro me diz logo o que você vai fazer? Esse negócio de não me dizer o que vai acontecer, onde vai me levar, eu não gosto e você sabe!
– Calma, já vamos chegar.

O carro cortava o vento como uma flecha, a estrada era reta e não parecia ter fim aparente, estava tudo escuro o sol não tinha nascido ainda, eram 5:09 da manhã, o visual era rodeado de arvores e mato, era um campo gigantesco aberto.

– Vamos lá, a partir de agora a nossa viagem de carro acabou, vamos pro lugar que eu realmente planejei, mas como você sabe que surpresas são surpresas eu preciso que coloque isso aqui.

Enquanto Pedro estacionava o carro, tirou do bolso interno da jaqueta uma tira de tecido preta, aparentemente maleável.

-Você quer que eu amarre isso em algum lugar?

Disse com a cara de confusão, Pedro riu e parou o carro.

– Não! Eu quero que cubra os olhos, pra não estragar a surpresa. Por favor.

Ela semicerrou os olhos, desconfiada, era muito astuta talvez ela já soubesse de tudo, mas os cobriu; Pedro acenou na frente pra se certificar se ela não estava mais enxergando nada, saiu do carro, era grama onde estava, contornou o carro para poder abrir a porta.

– Vamos! Eu estou ansioso pra saber o que você vai achar.
– É fácil dizer isso quando se enxerga por onde anda.

E de mão dadas, seguiram na grama a dentro, com o céu ainda escuro.
5:44
Uma explosão, e então veio o primeiro susto.

– Pedro que barulho são esses?!

Eram barulhos explosivos, difícil de distinguir sem o auxilio visual, mas se fossem a séculos atrás arrisco dizer que poderiam ser dragões facilmente.

– Isso faz parte da surpresa, nada de mais eu juro, agora falta bem pouco, quase nada.

Ainda estava bem escuro, nenhum sinal do sol e o clima era extremamente ameno.

– Certo Pedro, eu posso tirar a venda agora? Eu to ficando nervosa com esse suspense bobo.
– Vamos pro último passo, você tem que subir aqui.
– Subir onde se eu não estou vendo nada?

Pedro então abriu uma portinhola e a guiou para dentro do que parecia uma cesta, entrou, fechou, alçaram voo.

– Pode tirar.

6:07

Ela então tirou a venda, estava num balão, estava longe do chão, o sol começa a dar as caras, era uma mistura de várias cores, a paleta parecia bem a mostra, um amarelo, laranja tons de azul, era imenso demais, era bonito demais, não era descritível, mas se sentia bem. Ela então foi a beira do cesto, abriu os braços e abraçou o amanhecer, Pedro encostado na borda oposta sorriu, devia estar pensando no quão sortudo era pela parceira de vida que tinha arranjado, mas não disse nada para expressar isso, nenhuma palavra foi dita, não precisava, ela se uniu onde parecia ser seu lugar.

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