Nossa Ultima Noite

coracao-janela-chuva

– Sabe Helena, nunca imaginei que chegaríamos aqui, a ter esse tipo de conversa.

– Pedro, eu na verdade, ja tinha pensado nisso, ja achei que tudo seria assim.

Pedro deixou escapar um pouco o rosto serio que estava, e por um momento poderia dizer que ele pareceu abalado com o discurso dela.

– É isso que eu não entendo, pra que chegar aqui então? Por que você não me avisou? Por que não usou sempre as palavras certas? Você errou me deixou acreditar, e eu? Errei, quis ficar, me iludi, mas talvez não exista mais culpados, somos os dois culpados do crime.

Helena que tinha uma expressão leve pareceu bambear com seus olhos, pareceu querer dizer algo.

– Desculpa, Pedro, eu me envolvi, me deixei levar, não consegui controlar.

– Que ótimo, se envolveu, e agora voltou ao controle, realmente, eu queria entender onde eu estava com a cabeça pra poder cair nisso, pensei que já tinha vivido tudo que poderia se viver, grande engano, não?

Choveu, dentro do apartamento de Pedro, se podia ver, ouvir quase nada, porém era visível que era uma chuva torrencial.

– Acho que você não entendeu, eu gosto de você, não disse em momento nenhum que não gostava, eu só disse que imaginava que teríamos um fim, eu preciso fazer muitas coisas ainda, e eu acho que não posso ter ninguém comigo pra isso.

-Gosto.

Pedro repetiu com desdém, virou de costas, estava de costume completo, era tom de azul escuro, camisa branca, apertou o sofá que estava em sua frente.

– Você realmente acha que eu iria te atrapalhar? Te impedir de concretizar algum sonho? Que tipo de monstro você acha que eu sou? Helena, me desculpa, não sei o porquê eu deixei que isso acontecesse, chegasse até aqui, me conheço, sempre soube que eu me apaixonaria por você.

– Você parece não querer entender, eu não to dizendo que quero que vá embora da minha vida, eu só estou achando que isto está ficando sério demais e deveríamos nos policiar mais.

Helena, linda, teus olhos azuis ou seriam verdes? Fitavam as costas de Pedro, olhava fixamente como se quisesse extrair algo dali, algo que ele não falaria. Pedro virou abruptamente, em alguns passos chegou a Helena, não tinham mais que um palmo de distância, ele olhava fixamente nos olhos dela.

– Você acha que isso ta ficando sério demais?

Pedro rapidamente passou o braço esquerdo por trás de Helena e colou o corpo dela junto do dele, a mão dele segurava firme a cintura dela, agora a distância entre eles não existia, a ponta do nariz deles se encostava e os olhos de Pedro continuavam fixos nos de Helena.

– O erro foi te deixar entrar demais na minha vida, eu quero que saia da minha casa agora, Helena.

– Eu não vou embora, Pedro.

A mão direita de Pedro subia o corpo de Helena, subia devagar, até que ele passou a mão pelo rosto dela.

Pedro respirava baixo, teus lábios encostaram nos dela, e ele começou a dizer.

– O meu erro foi me apaixonar por você, e eu não sei ainda como vou desfazer isso, mas se é assim que você deseja, é assim que vai ser, seremos estranhos de novo, se você sair por aquela porta Helena e você vai sair, você nunca mais voltará a entrar de novo.

Helena suspirava, teu rosto estava ruborizado e tua pele pegava fogo.

– Mas não deixarei que vá embora nessa tempestade, hoje, vai ser a última vez que eu te amei.

Helena não disse nada, não precisou, se já não existia distância entre eles, Pedro terminou de unir os dois corpos, a chuva que caía forte lá fora, se misturava com todos barulhos que poderiam sair daquele apartamento, hoje era o último dia daquele casal, a chuva tratou de abafar isso também…

Compartilha no FB!