13 de fevereiro de 2017

Setembro, o Adeus e a sua covardia.

​É camiseta, calça, cueca, sapato, mala, dobra, arruma, respira, para, reflete, dobra, jaqueta, moletom, livro, carta, carteira, fecha, levanta, inspira, expira, repete.

Daqui de cima tudo parece tão insignificante, no momento sou tão gigante, tão distante de tudo que um dia pensei que pertencia a mim, hoje s’eu estico o braço não faço contato com nada além de mim pelo reflexo do vidro da janela, a propósito não tenho certeza se isso é realmente vidro. Estico as pernas quanto dá, viro pro lado pra ver se consigo melhorar, mas é inútil, estou preso nesse pássaro gigante e sabe-se lá que hora vou poder pousar, e ainda tem um problema já que gritar não me parece uma possibilidade, não sei bem como proceder.

Queria ter me despedido de todo mundo, mas não pude, não quis, a verdade é q’eu estou fugindo, estou saindo pra não ter que ficar mais aqui, meu tempo se esgotou de maneira sistemática, cavei o buraco e fui em busca de ajuda para sair, a pessoa sumiu, tentei me reerguer mas foi tão difícil que desisti e então me decidi que iria me foragir, saí do buraco sozinho e cá estou, longe estou…

Vou me lembrar de cada segundo que vivi aqui, cada abraço apertado cada grito abafado, vou me lembrar pra sempre de quem amei, de quem amou, de quem se quer imaginou que eu poderia lembrar, mas uma hora tudo parece que precisa mudar, tudo parece que precisa seguir em frente.

E eu vou seguir, longe de você
Não vou mentir, eu amo você
E aqui não dá mais pra ficar
Já não aguento mais te ver em todo lugar

Esse é o nosso fim, falo isso pra mim
Sonhando com você num avião
Vindo pra cá me tirar da solidão
Eu fugi pra recomeçar, ia fugir pra qualquer lugar

Longe.

Compartilha no FB!
SHARE:
Cronica, Literatura 0 Replies to “Setembro, o Adeus e a sua covardia.”