18 de abril de 2016

Sou brasileiro, mistura de todas as cores, mistura de todos os credos.

Sou brasileiro, filho do Brasil, naturalmente cheio dos estereótipos que o Brasil e seus filhos carregam, o primeiro deles é a miscigenação, filho de negro com branco, sou o que mais da metade aqui é, misturado, a e que orgulho da mistura, mas como disse o glorioso Emicida:

“Existe uns problemas, e um deles é que a gente só aplaude a miscigenação quando ela clareia.”

Triste realidade, triste imaginar que tenho que ter orgulho do que não sou, pra provar que o que sou tem valia também, é… pensando bem tem algo errado nisso aí.

Sou brasileiro, um apaixonado por futebol, torcedor do time que revelou nosso rei, sou só mais um, que faz parte da famosa pátria das chuteiras, e isso era pra ser orgulho, afinal, o esporte tem essa faceta de, orgulhar quem faz e quem torce, uma pena seria se fossemos lembrados mais por isso do que por qualquer outra coisa, mas como diria Nelson Rodrigues:

“O brasileiro é um feriado.”

Sou brasileiro, aquele que “descobriram” em 1500, daquele que quando se trata de dinheiro, tudo vem dando errado desde 1808, sou daquele tipo que sempre confia antes de desconfiar, sempre abraça, antes de ter motivos pra soltar, em suma, sou brasileiro, sou parte do povo mais feliz do mundo, sou daqueles que desde a televisão vive desconfiado, afinal:

“Será que mostram mesmo o que eu preciso ou mostram só o que querem?”

Sou brasileiro, neto daquelas que acharam que congelar o preço era solução, daqueles que discutem se Getúlio se matou ou foi assassinado, sim, discutimos isso ainda em 2016.

Sou brasileiro, de um estado laico, que não faz parte de religião e não tem credo, mas que ao mesmo tempo tem uma bancada religiosa que é formada apenas por um tipo de religião, sou brasileiro que não gosta de carnaval em casa, mas que não perderia uma escola na avenida, mas ser brasileiro é ser o que?

2016 é o ano que vivi pra ver outros brasileiros se dividirem como um gigantesco GreNal, e pelo que me consta, não é a primeira vez, triste é pensar que se dividem por algo incomum, será mesmo verdade? Será mesmo que todos querem o bem do próximo?

Fernando Pessoa traduziu muito bem o sentimento pra agora:

“Eu sei que não sou nada e que talvez nunca tenha tudo. Aparte isso, eu tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Espero ser brasileiro ainda vivo, pra ver todos unidos por um Brasil melhor, porque eu tenho orgulho de ser filho do Brasil, e sei que se algo ta errado, nós erramos em algum momento, sou muito mais “nós” do que só “eu”, e vou ser aquele sorriso típico e característico nosso, pro resto dos meus dias, e como disse um presidente uma vez:

Eu sou brasileiro e não desisto, nunca!

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