19 de julho de 2019

A História que contamos

Recentemente, tive uma conversa produtiva com um amigo sobre métodos de ensino de História.

Isso, é claro, levantou em primeiro lugar o significado de ensinar História deste ou daquele jeito.

Por exemplo, os positivistas prezavam pelos documentos oficiais, em busca de uma “História objetiva e isenta”.
Apesar dos méritos destes em pensar a História como ciência, eles jamais perguntaram quem escreveu estes documentos.

No final, portanto, os positivistas não haviam apreendido o significado e o papel da História.

Entre outros, destacarei aqui a História como elemento de construção do poder.
Isto é, o que contamos sobre um povo define muito sobre quem controla este povo.

Pensemos no caso brasileiro.
Como aprendemos sobre a abolição da escravidão?
Lei do Sexagenário, Lei do Ventre Livre e, enfim, a Lei Áurea.
Tudo isto consta nos documentos oficiais. Tudo isso, por conseguinte, soa isento e objetivo.

Entretanto, tudo isso ignora a luta do povo negro pelo fim da escravidão.

Ignora Luís Gama, Joaquim Nabuco, o jornal “O Abolicionista”, as sociedades de bairro que se organizavam para comprar alforrias, etc. Mais importante: ignora as consequências ulteriores da escravidão, sentidas até hoje nas estruturas sociais.

Então, a História que contamos, o jeito que escolhemos conta-la, em última análise, é um diálogo de nosso povo com a identidade que queremos construir para ele.

Somos um povo ordeiro, pacífico, sem ímpeto para a luta que espera a bondade “de cima” para resolver nossos problemas? Ou somos guerreiros, lutadores e lutadoras contra a injustiça e a opressão?

Isto depende.
Depende da História que contamos.

E você?
Qual História está contando?

Compartilha no FB!
SHARE:
Opinião, Sociedade 0 Replies to “A História que contamos”