27 de junho de 2019

Democracia em Vertigem

Mas Qual Democracia?

Há algumas semanas atrás, na Netflix, foi publicado o documentário “Democracia em Vertigem”. Devido à popularidade do filme e o burburinho que foi feito na internet, não acho que caiba aqui uma sinopse. Porém, vale abordar as questões levantadas pelo documentário, que considero essenciais para o texto: Qual é a natureza do Estado que a Petra aborda? Quem é esse Estado? A atual “democracia” é um bem supremo?

O Estado, é o instrumento de opressão de uma classe sobre outra. Afinal se não for essa a função do estado, qual seria? E por esta afirmação, ser mais repetida como um jargão do que qualquer refrão do Mc Kevinho, ela perdeu um pouco de sua profundidade.

Qual seu significado real?

Que todo Estado é uma ditadura.

E CALMA LÁ! Não é só porque falei a palavra ditadura que você tem que se assustar, vamos prosseguir…  No entanto, não necessariamente uma ditadura como forma de governo, mas como forma de Estado. E o que isso quer dizer? É a imposição (às vezes pela força) das vontades da classe dominante sobre a dominada.

E agora vem a questão que é: Como saber que classe manda e que classe é mandada, né?

Se queremos saber qual classe manda em um Estado e, portanto, exerce sua ditadura, basta passarmos os olhos sobre a classe dos parlamentares e, mais importantes, de quem financiou a conquista daquele cargo para os mesmos parlamentares.

No Brasil, o Estado não é diferente. Aqui é a ditadura conjunta da grande burguesia submissa aos interesses imperialistas e dos latifundiários. Não por acaso, tantos nomes são maculados pelo dinheiro sujo de Odebrecht, JBS, etc.

Agora se você chegou nesse parágrafo e já consegue compreender que todo Estado é uma ditadura e isso não quer dizer que todo estado tem um Mussolini ou um Hitler, a gente consegue entender que o Brasil não é uma exceção, isso vai nos ajudar a ter um ponto de partida sólido para compreender o processo de impeachment e a prisão de Lula.

Foi Golpe? Foi legítimo? Foi sujeira da “classe” política?

Eis a resposta curta: não importa.

Na ditadura da grande burguesia e dos latifundiários, os jeitos que eles vão usar para mudar a administração deste comitê de negócios chamado Estado brasileiro é irrelevante. Prisão suspeita em tempos de eleição, manobras jurídicas, Golpe de Estado… Tudo isso tem a mesma função: colocar no poder quem eles acham que tem a competência para fazer o que for melhor pras classes dominantes citadas.

Então sabendo de tudo isso, fica fácil enxergar que O documentário, portanto, mostra com clareza ímpar e impetuosa a piscina de merda que é a administração do Estado, seus bastidores fétidos, suas paredes cheias de ouvidos… Todavia, não revela nada de novo para um bom democrata, apenas confirma com clareza o que sempre esteve ali pra quem tivesse um pouquinho mais atento aos detalhes.

Dito isso, fica evidente que a aparência democrática da forma de governo oculta a ditadura da forma de Estado. A forma, como sempre, salta à vista antes do conteúdo.

Neste cenário, por qual razão colocar essa democracia de aparências como valor supremo a ser defendido?

Só há uma resposta: a irônica renegação, da parte da nossa querida diretora, aos ensinamentos de quem ela disse ser “professor” de luta dos pais dela, o revolucionário Pedro.

Vamos falar do Pedro Pomar um pouquinho?

Membro do antigo e revolucionário PCdoB, infelizmente antigo, tomou parte na construção da Guerra Popular no Brasil. Além disso, foi covardemente assassinado pelos gorilas fascistas da Ditadura Civil Militar.

Ora, por qual razão Pedro Pomar almejava a Guerra Popular e não a defesa à democracia jogada às traças pelos milicos?

Pela razão de que Pedro, contrariamente a Petra, entendia que a ditadura para uns é a utopia democrática de outros. Portanto, estava empenhado em construir a democracia para o povo e a ditadura para a grande burguesia e os latifundiários. Ou seja, um dos maiores quadros revolucionários do Brasil não queria proteger as risíveis aparências democráticas de outrora, mas construir uma autêntica democracia para quem trabalha e produz.

Então, defender a democracia brasileira atual “acima de tudo”, é defender a ditadura sobre os que sofrem, contudo, defendendo o teatro “cidadão” que cerca este espetáculo macabro de mau gosto.

Mais uma vez, com ironia, observamos como uma representante do povo, no documentário, expõe seu sentimento de profunda falta de participação efetiva nos rumos da política de seu próprio país, e ainda diz “Acho que isso daqui não é democracia não.”

Então, resta a questão: a democracia da grande burguesia e dos latifundiários é um bem supremo, cujos “errinhos” devem ser corrigidos e a estrutura mantida?

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Cinema, Entretenimento, Opinião, Sociedade 0 Replies to “Democracia em Vertigem”