25 de junho de 2019

A surpresa perante a parcialidade da justiça

A última polêmica da política brasileira – aquela que supera qualquer série da Netflix, é a divulgação das mensagens trocadas pelo juiz da operação Lava-jato, o batman tupiniquim serviçal dos ianques, Sérgio Moro e seu ‘robin’ Deltan Dallagnol, o procurador do caso.

Foto: arquivo Revista Forum

Juristas como Streck, já se pronunciaram acerca da ilegalidade e inconstitucionalidade de tais tramoias da dupla dinâmica. Nesses tipos de questões fica mais difícil para mesmo os juristas mais especialistas em malabarismo retórico defender tal conduta.


Moro em uma coletiva de imprensa apresentava um ar cabisbaixo e a sua voz diminuía quando tinha que se referir ao conteúdo das mensagens, que “ainda que fossem reais, não havia nada demais”. Ora, pra qualquer um é claro que isso é uma bizarrice sem tamanhos: as mensagens provam parcialidade descarada e ele mesmo, em possibilidade, até admite que existiram.

Mas o ponto é, porque isso nos espanta? Para as pessoas que se interessam pelos rumos da política nacional e vêem essa ou aquela notícia nos grandes portais, é comum que se espantem. Afinal, o modelo platônico de ‘democracia’ criado pelo sistema de educação e idealizado pela mídia e cultura em geral, é supostamente o Ocidental, a dizer – EUA e Europa, e não está de acordo com as ‘regras do jogo democrático’ (o jargão enfadonho dos liberais) que um juiz combine com o acusador como farão para julgar e condenar o réu.

Mas veja, isso não é nada espantoso para aqueles ‘de esquerda’, que conhecem o mínimo da história desse país: desde a República Velha até hoje, não existiu sistema jurídico que representasse interesses do país ou da maioria das pessoas que moram nele. Pior ainda para os setores mais engajados dos quadros do Partido dos Trabalhadores, os supostos marxistas (e para alguns até “revolucionários”). 

Para esses, já é sabido que a história da humanidade é a história das lutas de classes e que o Estado é um balcão de negócios dos burgueses, no Brasil: latifundiários, banqueiros, mega-empresários de empresas transnacionais, barões da mídia e afins.

Será que é honesto dos dirigentes máximos de partidos ditos populares e de organizações sindicais que já sabem dessa barreira que existe no Estado brasileiro chamarem e cooptarem massas e mais massas de gente a votarem nos seus candidatos para que esses candidatos (que sempre serão minoria nesse modelo de sociedade) mudem o status quo por dentro da Grande Máquina e de cima pra baixo?

Será que são românticos idealistas que acreditam em uma tática e estratégia que nem as ficções se arriscam a simular vencedoras ou simplesmente sabem disso tudo e ainda sim agem dessa forma ignorando as críticas a eles dirigidos ou demonizando-as? A última alternativa seria a mais grave e se exposta, explicaria muito da letargia dos brasileiros face a esse espetáculo bizarro que é a política nacional.

Fica a reflexão.

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Opinião, Sociedade 0 Replies to “A surpresa perante a parcialidade da justiça”