21 de agosto de 2016

Apesar do espírito olímpico

Os jogos olímpicos acabam neste domingo e, como todo evento de grande porte esportivo, elevam os ânimos e as emoções do povo brasileiro em torno do esporte, e o termo ‘espírito olímpico’ serviu como expressão desses sentimentos que envolvem os jogos. Não é possível esquecer dos acontecimentos que nos fazem lembrar do lado obscuro e questionável de tudo que envolve grandes eventos onde existem muitos interesses. Tudo que envolve grandes investimentos e toneladas de dinheiro é passível de influência de interesses muitas vezes não conhecidos pelas pessoas.

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Como não poderia deixar de ser, não poderíamos esquecer de como foram tratados os torcedores que quiseram manifestar desaprovação pelo atual presidente do Brasil, da mesma forma que os torcedores, de forma bem menos educada, manifestaram contra a presidente em 2014, na Copa do Mundo de futebol. A despeito de qualquer “espírito olímpico” ou etiqueta para com nosso nobre presidente nos estádios existe o Artigo 5º, inciso IV, da Carta Magna, que é livre a liberdade de expressão e de pensamento. Mas pelo jeito para nosso presidente os “valores democráticos” são meros fetiches.

No judô, o atleta egípcio Islam El Sehaby não cumprimentou o israelense Or Sasson, após ser derrotado, ele alegou que não pode dar a mão a um atleta do Estado de Israel, ou seja, que represente essa entidade. O atleta do Egito foi expulso dos Jogos Olímpicos devido sua atitude “antiesportiva” e o Comitê Olímpico Internacional (COI) publicou uma nota dizendo que as delegações devem instruir os atletas a terem os “valores olímpicos”. Pois bem.

As nadadoras americanas Lilly King e Katie Meili não cumprimentaram a russa Efimova, após a disputa na piscina. As imprensas americanas e alemãs justificam essa atitude devido ao “clima de desconfiança” em que os atletas estão inseridos devido as últimas denúncias de doping envolvendo atletas e governo russo.  De qualquer maneira nenhuma delas foram expulsas ou sofreram punição.

Não foi expulso o francês Renaud Lavellenie apesar de não cumprimentar, o vencedor da disputa em salto com vara, brasileiro Thiago Braz, devido a atitude contrária ao espírito olímpico dos torcedores brasileiros que o vaiaram. Embora concordamos que não é de bom grado a torcida vaiar os atletas em esportes individuais e que exigem concentração, as torcidas europeias não são exemplo de civilidade, não vamos nos esquecer dos casos de racismo na última Eurocopa .

Sem esgotar os exemplos, no escândalo dos nadadores americanos Ryan Lochte, James Felgen, Gunnar Bentz e Jack Conger, que cometeram não uma gafe, mas um crime, mentindo sobre terem sido assaltados, também não foram expulsos, pagaram multa e voltaram para seu país.

CC

Atletas como Yelena Isinbayeva, do salto com vara, que não foi pega no exame antidoping apesar de ter feito duas vezes, não pode competir nas Olimpíadas de 2016 no Rio. Ela foi outra atleta a lamentar que a ideologia e propagandas políticas prejudiquem atletas de outros países no meio dos conflitos.

Também foi bem desrespeitosa e longe do “espírito olímpico” a atitude da mídia brasileira para com os atletas vindos da República Popular Democrática da Coréia, conhecido como Coreia do Norte. Diversos preconceitos aos atletas foram forçados pela cobertura brasileira; de coisas como eles não poderiam desfilar na cerimônia de abertura, até coisas como eles são proibidos de dar entrevistas. Alguém pode dizer que esse preconceito é nada mais que uma reprovação perante a um regime “ditatorial” e perverso. Gostaríamos de ver esse mesmo ímpeto com regimes tirânicos e assassinos como o governo de Israel, que mata crianças todos os dias ou como a monarquia da Arábia Saudita, que decapita presos políticos em praça pública.

Mesmo nas Olimpíadas nem tudo é alegria e fraternidade e não passam despercebidos os reflexos dos conflitos que acontecem no nosso mundo independente da suposta união que o esporte possa criar.

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Opinião, Sociedade 0 Replies to “Apesar do espírito olímpico”