16 de novembro de 2016

As consequências do ódio irracional e o fascismo

Disse Brecht: “A cadela do fascismo está sempre no cio” e é notável que um novo tipo de violência está ganhando força. Já é a segunda morte envolvendo as ocupações dos estudantes no Brasil.

O dia 15 de novembro ficará marcado na história brasileira sobre como o ódio irracional e despolitizado contra as lutas e manifestações sociais pode levar a consequências inimagináveis. Um garoto anarquista e militante chamado Guilherme Silva Neto foi morto pelo próprio pai a tiros, que se suicidou em seguida, por causa de divergências políticas envolvendo as ocupações nas escolas contra as reformas do ensino médio.

Essa tragédia, bem como a do garoto que foi assassinado em uma discussão em uma das ocupações, e as que podem surgir é consequências do ódio despolitizado e irracional contra os movimentos sociais e lutas por direitos coletivos no Brasil. É consequência de todo ódio difundido contra “os vagabundos que ocupam as escolas”, contra os movimentos sociais que lutam por moradia ou terra, ou mesmo o ódio aos partidos políticos. E isso tem um nome bem claro na história, fascismo.

Esse crime mostra a que ponto de tensão chegou a luta de classes no Brasil e como a ideologia da classe dominante é enraizada e culturalizada de modo que, como se não bastasse o próprio povo se digladiar em defesa dos interesses dos poderosos, mesmo um pai possa matar um filho por um motivo torpe como esse.

O fascismo enrustido no Brasil é latente e se manifesta nas formas mais perversas que se pode imaginar, sem quase nenhuma repercussão da mídia ou discussão pública. Aparece no extermínio sistemático dos pobres (principalmente negros) nas periferias do país, no genocídio dos povos nativos por latifundiários e por assassinato de líderes camponeses ativos na luta pela reforma agrária. Ainda, parece que nas forças policiais de um Estado liberal a o fascismo se manifesta de forma declarada.

A morte de Guilherme ficará marcada, não por ser mais importante que as mortes diárias de negros, gays, transsexuais, mulheres, índios ou camponeses, mas pelo seu caráter simbólico do drama que estamos vivenciando entre o desmonte da educação pública e o ódio fascista contra movimentos sociais. É a pintura do quadro do fascismo à brasileira, em sua forma bizarra e absurda.

Está na hora de debater as consequências graves que o ódio irracional despolitizado na política pode trazer. É dever condenar qualquer tipo de manifestação de fascismo, não importando a forma que apareça, e não aceitar que a classe dominante doutrine o povo a ponto de criar a barbárie que se viu na Alemanha nazista e na Itália fascista, ou mesmo nos dias de hoje, na Ucrânia.

O ano de 2016 ficará marcado pela sucessão de desgraças astronômicas que aconteceram no Brasil, mas talvez um dos episódios mais marcantes e simbólicos desse ano será o dia em que um garoto foi morto pelo próprio pai lutando por pelo direito de uma educação digna.

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Opinião, Sociedade 0 Replies to “As consequências do ódio irracional e o fascismo”