5 de outubro de 2016

Descontentamento, “nova política” e PT em queda livre

O novo prefeito de São Paulo foi eleito com um projeto de privatização de espaços públicos, “enxugamento” da máquina pública e desfazimento da políticas públicas de reforma do trânsito metropolitano que reduziram mortes.  Uma figura que tenta personificar a ideia da anti-política ou do “novo”, ou seja, alguém que não está no meio dos escândalos de corrupção que são diariamente latentes no jornalismo, apesar de fazer parte de uma classe empresarial que é frequentemente envolvida em crimes fiscais e casos de sonegação de impostos. Ironicamente o “político-gestor moderno”, além de se eleger com algumas promessas duvidosas, como zerar a fila das creches no primeiro ano – contestadas até pela própria grande mídia, já avisou que não impedirá o aumento da passagem, contradição tradicional da “velha política”: prometer e não cumprir.

Do outro lado temos a grande derrota do Partido dos Trabalhadores no cenário geral, com perda de muitas prefeituras e mesmo no seus redutos históricos – Belo Horizonte, Porto Alegre e São Bernardo. Na prefeitura, o PT acreditou que a gestão seria o principal fator na escolha do prefeito, subestimou talvez, a força da mídia, a importância da propaganda e a agressividade nos debates – Haddad na maioria das vezes se limitou apenas se defender e pouco desmoralizar o adversário, como fizeram seus oponentes. Além disso, essas eleições foram a prova de que a base social do eleitorado petista está cada vez menor e esse é o resultado da despolitização perpetuada pelo próprio partido perante suas bases históricas. Ou seja, o PT vê seu projeto cada vez afundando ainda mais e se não fizer uma dura autocrítica e reformulação de seus métodos, terá seu fim mais cedo do que se espera.

O descontentamento popular com o processo eleitoral e a democracia representativa está mais evidente, sendo exprimida no aumento dos votos nulos, brancos e abstenções. Nas capitais essa parcela dos votos foi alta e, em São Paulo por exemplo, foi mais alta do que a porcentagem do candidato eleito, o milionário João Dória, chegando a quase 40% do universo total do eleitorado. No Rio representou maior quantidade do que os dois candidatos que foram para o segundo turno, Crivella e Freixo, aproximadamente 38% sendo mais de 4 milhões de eleitores. Marcelo Freixo foi o destaque da esquerda por levar a disputa para o segundo turno, desbancando o candidato do PMDB que tinha a máquina nas mãos, ainda sim, os partidos de esquerda mostraram baixo desempenho entre as classes populares. A transformação em espetáculo dos julgamentos e investigações, a forma não convincente da deposição da presidente Dilma e a própria atuação do PT, provocou no povo um efeito de desilusão e descrédito da política em geral.

Muitos jornalistas oportunistas ou representantes de grupos de interesse aproveitam esse momento para promover a campanha do voto facultativo, ou seja, a não obrigatoriedade do voto e a ideia de aposta da população em um “novo projeto de governo” – entende-se aqui, o oposto do petismo. Nas eleições para as Câmaras vemos tanto a fidelidade dos petistas ou admiradores na quantidade massiva de votos em Eduardo Suplicy (maior quantidade de votos em São Paulo) e ao mesmo tempo, a consolidação do neo-conservadorismo na eleição de mais um Bolsonaro e o surgimento de uma direita lacerdista renovada, elegendo o “apartidário” Fernando Holiday do Movimento Brasil Livre (MBL), representando o “novo” pelo velho Democratas.

A televisão ainda tem imenso peso no processo eleitoral, boa parte dos “currais eleitorais” ainda são dominados pelos candidatos milionários no Sul e Sudeste e pelo coronelismo no Nordeste e Norte do Brasil – em salvador tivemos a vitória de ACM Neto com maioria esmagadora dos votos – e a desilusão do povo com os partidos do status quo cresce. Por enquanto, a empreitada golpista não rendeu muito aos seus chefes PSDB e PMDB, que no primeiro turno, não absorveram as perdas do PT, nem para seus comparsas, como REDE e PSB que tiveram desempenho fraco mesmo apoiando o impeachment. Porém, isso só vai ser confirmado depois do segundo turno.

 

 

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Opinião, Sociedade 0 Replies to “Descontentamento, “nova política” e PT em queda livre”