27 de agosto de 2016

Porque a mídia ocidental se preocupa tanto com os norte-coreanos?

Algo que me incomodou bastante na abertura das Olimpíadas do Rio 2016 foi a postura de alguns jornalistas para com países como a República Popular Democrática da Coréia (RPDC) (vulgo Coréia do Norte). É comum ver uma “preocupação” desproporcional e exagerada de alguns meios de comunicação com a situação dos norte-coreanos, porém frequentemente essa preocupação se transforma em desrespeito e preconceito, regados com algumas notícias falsas.

Na cerimônia de abertura, a jornalista Ana Paula Padrão, do canal Bandeirantes, comentou que talvez o país não desfilasse na cerimônia de abertura, pois lá esse tipo de coisa seria proibido pelo regime. O que não aconteceu, obviamente, e eles desfilaram em sua delegação como qualquer outro país participante.

Segundo as reportagens, as atletas norte-coreanos seriam os atletas mais tristes do evento e não demonstravam emoção nem quando ganhavam uma medalha. Nem é preciso dizer como é carregado de preconceito com os povos asiáticos o teor dessas afirmações. Em uma reportagem, a UOL noticiou que os atletas não davam entrevistas pois eram proibidos pelo regime. Alguns dias depois, o atleta medalhista Yun Chol Om, deu entrevista a SportTV.

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Alguns jornais disseram que a menina norte-coreana que tirou uma selfie com uma sul-coreana poderia ser morta. Nenhuma fonte que desse base para isso foi citada, ainda sim, portal ExploreDPRK, publicou uma nota rechaçando tal notícia. Para os estudiosos da guerra coreana e de relações internacionais a reaproximação sempre foi algo discutido e incentivado pelo governo, os países chegaram até propor união de um país com dois sistemas de governo, além de ser um desejo antigo dos dois povos a reunificação do país.

Sem entrar na questão sobre se o governo coreano é bom para seu povo ou se é tirano e terrível, a verdade é que a são divulgadas muitas mentiras sobre esse país de modo descarado. Não se vê, por exemplo, a mídia ocidental protestar ou se comover com alguns direitos humanos violados na Coréia do Sul, como por exemplo idosos que tem que se prostituirmanifestações e greves que são reprimidas ou assassinatos, torturas, entre outros.

Lembrando que por muito tempo esse país foi uma ditadura militar e, até nos dias atuais, existem partidos banidos da política no âmbito institucional. A Arábia Saudita também é um dos países mais tirânicos onde diversos crimes contra os ‘Direitos Humanos’, que os EUA e países europeus dizem tanto defender. No entanto, quase não se fala desse país nos jornais, não se vê notícias sobre as punições com chibatadas, as execuções de presos políticos com decapitações, etc. O que dizer então sobre Israel? Qualquer um que se diga defensor dos direitos humanos deve condenar convictamente os crimes brutais cometidos pelo país na guerra contra a Palestina.

Talvez porque esses países sejam parceiros econômicos e políticos dos países do primeiro mundo e o que definem os padrões atualmente são dinheiro e poder.

Os exemplos citados acima são só a ponta do iceberg, os problemas que envolvem a ilha são muito mais complexos e as caricaturas que são criadas pela mídia não demonstram a real natureza do problema. Soa de modo cômico a preocupação seletiva de alguns canais de TV com os direitos humanos no país, enquanto carece de atenção situações gravíssimas como os palestinos na ocupação israelense, o povo perseguido na Ucrânia e os inúmeros mortos na guerra síria, por intervenção direta de EUA e França, os baluartes da ética ocidentais.

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Opinião, Sociedade 0 Replies to “Porque a mídia ocidental se preocupa tanto com os norte-coreanos?”